Porque o mundo é uma enorme manta de retalhos feita das histórias de cada um de nós. Porque cada ser tem um porquê e cada olhar esconde muitos porquês. E porque é de histórias que somos feitos, de recordações que somos moldados, por sonhos que nos guiamos, esta é uma pequena janela sobre os pensamentos sugeridos, os sonhos criados, as respostas encontradas, num conjunto de imagens que falam por si...
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Aos Indignados Públicos de Portugal
Exmos. Srs.:
Os Srs. que até há bem pouco tempo trabalhavam 6h por dia achando-se no direito de tratar os vossos patrões como quem faz um favor, tenham a sensatez de não chamar miséria aos balúrdios que recebem sem mexer uma palha, muito antes de nós o podermos fazer. Por muito que nos sacrifiquemos nunca teremos uma “miséria” tão avultada quanto aquela que não vos chega… Para quê, afinal? E com que valores? É impossível viver com “menos 500€” mensais de reforma? E como pode o comum mortal sobreviver com 400€ por mês, a trabalhar?! 1100€ líquidos não chegam para a Faculdade dos filhos? E os outros, como fazem? Trabalhando 12h diárias sem horas extra nem ADSE? É de se solidarizar com a vossa luta, de facto: funcionários que não podem ser despedidos, nem abandonam funções sem gorda indemnização…
Não nos digam que é a pensar nos alunos que os deixam sem aulas ou avaliações numa altura decisiva, quando o futuro é tão incerto para quem realmente trabalha ou quer fazê-lo.
Não apregoem que é pelo bem-estar dos doentes que os deixam sem cuidados dias a fio, depois de desesperarem, os sobreviventes, por um exame ou uma intervenção que devia ser urgente mas só o é para quem pode pagar. Mas deve ser realmente difícil entender para quem escolhe o especialista que quer, à hora que lhe apetece, e ainda nos apresenta a conta no final, enquanto nós esperamos que nos salvem…
Não espalhem que querem justiça quando só se aplica aos mesmos de sempre, respondendo àquilo que vos convém e não ao que é melhor para todos! É que quem não é funcionário Público não tem um décimo dos “direitos” de que os Srs. não admitem abdicar para que se minimizem problemas realmente graves.
Sabem, ninguém é mais que os outros. Os Srs. não são tão frágeis que não possam fazer o mesmo que nós… O comum mortal é obrigado a trabalhar as horas necessárias para garantir as condições mínimas de sobrevivência aos filhos, não venha alguém levá-los para uma instituição… Imaginem o que sentiriam se vo-los roubassem por não auferirem dos vossos salários avultados!
Mas há preocupações maiores, como se os pequenos terão ou não actividades extra-curriculares… AEC’s leccionadas por muitos profissionais de qualificações duvidosas, seleccionados por métodos tão obscuros quanto os que por demasiadas vezes vos colocam nas funções que tanto vos custa cumprir mas que não querem largar, nem negam aos mais queridos. Que amor lhes têm que até os deixam sujeitar-se à vossa triste vida de privações, hein?!
Até os Srs. comunicadores, que deviam fazer jus à liberdade de expressão que apregoam, fazem questão de só dar tempo de antena àqueles que já o têm por natureza.
Que democracia esta que temos: uns são Públicos e os outros nem voz têm! Verdade é que “os outros” não têm poder, nem tempo e ainda menos esperança para queixumes… É demasiado doloroso perceber que só os esforços de uns é que valem a pena, e que outros nunca terão sequer a oportunidade de fazer ouvir aquilo que lhes vai na alma…
Mas, chamem-me do que quiserem, eu não me calo!
Precisamos de uma meritocracia: que recompense quem merece e não quem mais “conhece”, porque já se sabe, e os Srs.já nem se incomodam de o dizer em voz alta, que para chegar lá só é preciso um certo “jeito”...
Precisamos de esperança, que o sonho de Luther King, o objectivo de Madiba e a luta de Ghandi se concretizem em nós: precisamos de ser TODOS, apenas e só, PORTUGUESES!
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