When I was born my parents wanted to give me a name which means Angel’s Rose. By then no foreign name was admitted in Portugal and this one was much too strange for law to allow me to have it. Today I realize how much that simple fact may have defined a lot of things in my life.
Had my parents’ first choice been accepted and I wouldn’t have been sitting in the front row of my class for years and I wouldn’t have been the first to do things nobody wanted to do – even when no one knew what those things were -, and maybe that fact has defined me as the crazy person that follows whatever road, whatever the conditions are, and whatever the company (or lack of it) to get where I feel like I need to.
Had my name been Rose, and maybe I wouldn’t have to insist with a bunch of people to use my nickname – because apparently there’s no way a person named Ana may be called nothing but her first name – and nobody would have mocked me on the kind of words that go well with Regina... Maybe I would have been more self confident in doing things after seeing others doing them and realizing there was nothing to fear, or maybe I would have just never turned so bold as to follow ways without needing anyone to guide me through them... maybe I wouldn’t have a problem in letting people guide me through whatever neither...
But... thinking straight: would that really change something?
A long time ago I’ve decided not to regret anything, either what I do or what I don’t. Decisions have always been too difficult for me to make to spend any more time focusing on what could have been after I made them. Unfortunately, doing so is not always that easy... but lately I’ve been thinking that “what if...” is one of the worst ways to start a sentence if the following verb is conjugated in a past tense... If it’s something of you’re making, it will make you feel guilty; if it’s someone else’s responsibility it will only feed bad feelings about that person. If it’s something that didn’t work out as you wanted it to, it will make you regret not having done things otherwise; if it did... then it’s not even worth thinking about it, is it? I mean, is it, ever?
Why do we need to name everything? What does a star need a name for? Will a star shine any brighter if we call it star other than darkness? Would black be any less black if we called it white? And who tells me that what I call white is the same color anyone else sees when referring to the name someone, somewhere, decided to call it? And who decides over the name of things, anyway?
The same way, why the hell does society need to label people? Because it makes it easier to make us forget that we are unique and we don’t have to follow the ridiculous paths that make it easier to shut us up when we have some inconvenient truth to say? So why in the world would anyone adhere to that? And in the end, why do we need words?
Words only make it more difficult for people to understand each other... Each word, each concept, has a totally different meaning for each person, so every time we use a word to communicate with someone else, besides language and cultural differences of course, we’re referring to a totally different experience of the concept in that person’s mind... Because what I call love means something so utterly different from what you’ve experienced as being love, and what you think of as just and true and loyal is possibly opposite to what I consider it to be... and so we keep on being misunderstood, thinking everyone is getting the same message we’re trying to convey.
I’ve never liked labels – they’re as harmful as they’re useless – and words... Words... Words are never enough and are much too often too much...
Words are worthless and useless if they don’t come together with gestures, as studying history is useless and worthless if it doesn’t bring any change... So why do we keep on focusing in the past if we have no intention of learning something from it? And once we’ve learnt, why is it so difficult to do things differently or to let go of things that are not useful anymore?
Maybe that’s what words do: preserve a past meaning of something that shouldn’t be meaningful because however named the thing as such, surely didn’t see it the same way you do now...
We never learn anything if we don’t experience it and experience is something that is never conjugated in the past, for when it’s past it’s not experience anymore, it becomes a memory.
Since life is a permanent change and the same river is never crossable twice, we should be focusing on teaching our children not on how to get stuck but on how to let go...
That’s all we need to do to be truly free from concepts and misunderstandings, from labels and misadjusted names.
We just need to...
...let go.
"Surrender to what is. Let go of what was. Have faith in what will be."
(Sonia Ricotti)
Porque o mundo é uma enorme manta de retalhos feita das histórias de cada um de nós. Porque cada ser tem um porquê e cada olhar esconde muitos porquês. E porque é de histórias que somos feitos, de recordações que somos moldados, por sonhos que nos guiamos, esta é uma pequena janela sobre os pensamentos sugeridos, os sonhos criados, as respostas encontradas, num conjunto de imagens que falam por si...
domingo, 26 de julho de 2015
terça-feira, 5 de maio de 2015
Há um mar que nos separa...
Sudaneses, eritreus, bengaleses... Morrem aos milhares num mar que os conquista com promessas de liberdade, de prosperidade, de paz... Quais sereias traiçoeiras, os ecos de uma Europa “civilizada”, “desenvolvida”, “solidária”, atraem-nos como luz ao fundo de um túnel escuro de gritos de morte, de catástrofes naturais, de perseguições, de guerra...
A esperança está do outro lado de uma travessia que não se reveste de medo porque um destino pior do que a realidade que deixam para trás é-lhes difícil de imaginar. Trazem na pele as marcas de uma existência sofrida e na mente um único objectivo: uma vida, que acreditam, sem dúvidas, será melhor do que aquela que conhecem.
Tantos não chegam sequer a vislumbrar o paraíso imaginado, ficando pelo caminho entre as ondas de um mar revolto e as vagas de uma indiferença atroz. Aqueles que conseguem aportar na terra prometida depressa percebem que as maravilhas anunciadas não correspondem aos sonhos que alimentaram. Ainda assim, sentem-se gratos, e agarram-se com unhas e dentes à oportunidade de respirar um pouco do sopro de “perfeição” que alguém lhes vendeu por um preço demasiado alto. Chegam em barcos apinhados, acotovelando-se por uma lufada de ar fresco, contando as gotas de água que ainda lhes sobram até ao fim da travessia.
Entretanto, do lado de cá, o mundo acotovela-se para fazer ouvir a sua opinião. Os meios de comunicação lutam por “primeiras mãos”, exploram boatos até dizer mais não, digladiam-se e pagam milhões por exclusivos, criam notícias quando elas não existem. Pior, chegámos a um ponto em que para se ter uma opinião, ou se dizer “livre de expressar tudo o que eu quiser”, é preciso não só criticar mas antes ofender o outro, insultando as suas crenças mais profundas, lesando a sua dignidade e afrontando a sua liberdade.
Será descabido dizer que há uma ligação directa entre o crescendo da defesa da “nossa liberdade” e o reforço da revolta que alimenta os extremismos? Será desapropriado notar que as travessias com finais infelizes – de mares que nem sempre são compostos de água – não são novidade e que bem recentemente as tragédias se davam sem que nenhuma autoridade, podendo actuar, fizesse o mínimo esforço para contrariar os resultados, por demasiadas vezes limitando-se estas a observar os acontecimentos em silêncio? Será inoportuno falar das razões que levam estes seres tão humanos quanto nós a sentir que a única solução é deixar tudo para trás e tentar o que de mais incerto há? Ou será demasiado escabroso pensar que nós, e a nossa mania de sermos livres sem pensar que a nossa liberdade pode estar a pôr em causa a liberdade do outro, é que somos os verdadeiros culpados das desgraças que trazem esta gente a uma desgraça ainda maior?
Após as tragédias recentes, o primeiro-ministro italiano proferiu um dos poucos discursos oficiais acertados a propósito daquilo que é preciso fazer para impedir que a cada dia os refugiados sejam motivo de notícia pelas piores razões: trabalho conjunto sobre as causas do flagelo, não sobre as consequências. É necessário agir numa perspectiva de cooperação com os países de origem, enfrentar os problemas, não lidar com os resultados finais. E aí a dita “comunidade internacional” tem obrigação e poder para usar a tão aclamada “liberdade de expressão” para muito mais do que divulgação de cartoons de mau gosto... Quanta ingerência internacional em assuntos que não dizem respeito a ninguém e quanta inércia quando se trata de realmente proteger inocentes em perigo de reais ameaças...
A capa do mitificado Charlie a propósito do assunto mediterrânico é o coroar de uma demasiadamente longa lista de despropósitos que vêm alimentando o rancor daqueles que o mundo imagina como sendo maravilhosamente acolhidos por um continente que, sendo maravilhoso, tem muito a aprender quanto ao respeito pela diferença. Imagina, simplesmente, que uma foto da tua família era adulterada e divulgada nos meios de comunicação social em poses pornográficas. Qual seria a tua reacção? Qual seria a tua reacção se um jornal o fizesse sem cessar ao longo de... anos?
Há dias uma norte-americana defensora da “liberdade de expressão” alardeava na televisão que os cristãos não matam ninguém quando o mesmo tipo de cartoon que tanto ofende os muçulmanos se refere a Jesus Cristo. Sendo cristã, crente e praticante de todas as formas que me são possíveis (como se fosse possível crer e não praticar), tenho a lembrar três coisas: cruzadas, inquisição e “não praticantes” (o que quer que “praticar” signifique para quem se diz não praticante...) Outro apontamento, não há não praticantes entre os muçulmanos e quem “pratica” encara a religião e a fé como um modelo de vida, da mesma forma que tradicionalmente a Europa encarava a família, ainda que nem a família sirva mais de modelo a coisa nenhuma... querendo crer que a generalidade da população "ocidental" ainda se guia por alguma outra coisa que não seja o lucro...
Nada justifica um atentado a uma vida humana, nada! Mas a nossa responsabilidade também não pode ser negligenciada, e a defesa da nossa “prosperidade” e da nossa “liberdade” tem sido causa primeira de tanto ataque à dignidade e à vida de tantos. Tantos que depois nos procuram com a alma cheia de sonhos e se vêm escorraçados e enterrados em negros pesadelos. Valerá a pena pôr em causa milhares de inocentes em nome... de quê? De desenhos sórdidos e ofensivos?
Quanto mais atacamos, sem sensibilidade nem bom senso, os valores daqueles que os defendem sem sensatez (e de tantos outros que não têm absolutamente nada que ver com o assunto), mais o fanatismo se adensa. Quanto mais o fanatismo se adensa, mais o extremismo faz vítimas e quanto mais numerosas as vítimas, mais pessoas ameaçadas procuram refúgio neste lado do mundo, iludidas por imagens de uma liberdade que nem mesmo aqueles que sobrevivem ao mar um dia terão (porque na verdade nem mesmo todos os que aqui nasceram a ela têm direito da mesma forma...). E quanto mais criaturas em situação fragilizada – sem direitos nem protecção de nenhuma espécie – aportarem a estas margens, mais material para dar corpo a reacções extremistas se não soubermos dar-lhes motivos para não o serem, se não soubermos tratá-los como iguais e respeitá-los enquanto diferentes.
O caminho não é fácil mas é simples, basta reconhecer que aquilo que procuramos para nós próprios é o mesmo que todos quantos têm este mundo como casa têm o desejo de conhecer, e ninguém o merece mais que qualquer outro, porque, na verdade, nada do que existe nos pertence, todos estamos de passagem, numa viagem em que as tempestades são uma constante. A diferença é que enquanto uns viajam em navios de luxo, outros se vêem obrigados a confiar em botes salva-vidas... Cada um de nós tem o poder e o dever de fazer a travessia pelo menos o menos difícil possível para aqueles para quem o peso das vagas é maior. Talvez não possamos mudar o mundo, mas a diferença que podemos fazer pode ser decisiva para a possibilidade de fazer alguma diferença de outros...
E o mar que nos separa é também um mar que nos pode unir...
“O que eu faço, é uma gota no oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.”
(Madre Teresa de Calcutá)
A esperança está do outro lado de uma travessia que não se reveste de medo porque um destino pior do que a realidade que deixam para trás é-lhes difícil de imaginar. Trazem na pele as marcas de uma existência sofrida e na mente um único objectivo: uma vida, que acreditam, sem dúvidas, será melhor do que aquela que conhecem.
Tantos não chegam sequer a vislumbrar o paraíso imaginado, ficando pelo caminho entre as ondas de um mar revolto e as vagas de uma indiferença atroz. Aqueles que conseguem aportar na terra prometida depressa percebem que as maravilhas anunciadas não correspondem aos sonhos que alimentaram. Ainda assim, sentem-se gratos, e agarram-se com unhas e dentes à oportunidade de respirar um pouco do sopro de “perfeição” que alguém lhes vendeu por um preço demasiado alto. Chegam em barcos apinhados, acotovelando-se por uma lufada de ar fresco, contando as gotas de água que ainda lhes sobram até ao fim da travessia.
Entretanto, do lado de cá, o mundo acotovela-se para fazer ouvir a sua opinião. Os meios de comunicação lutam por “primeiras mãos”, exploram boatos até dizer mais não, digladiam-se e pagam milhões por exclusivos, criam notícias quando elas não existem. Pior, chegámos a um ponto em que para se ter uma opinião, ou se dizer “livre de expressar tudo o que eu quiser”, é preciso não só criticar mas antes ofender o outro, insultando as suas crenças mais profundas, lesando a sua dignidade e afrontando a sua liberdade.
Será descabido dizer que há uma ligação directa entre o crescendo da defesa da “nossa liberdade” e o reforço da revolta que alimenta os extremismos? Será desapropriado notar que as travessias com finais infelizes – de mares que nem sempre são compostos de água – não são novidade e que bem recentemente as tragédias se davam sem que nenhuma autoridade, podendo actuar, fizesse o mínimo esforço para contrariar os resultados, por demasiadas vezes limitando-se estas a observar os acontecimentos em silêncio? Será inoportuno falar das razões que levam estes seres tão humanos quanto nós a sentir que a única solução é deixar tudo para trás e tentar o que de mais incerto há? Ou será demasiado escabroso pensar que nós, e a nossa mania de sermos livres sem pensar que a nossa liberdade pode estar a pôr em causa a liberdade do outro, é que somos os verdadeiros culpados das desgraças que trazem esta gente a uma desgraça ainda maior?
Após as tragédias recentes, o primeiro-ministro italiano proferiu um dos poucos discursos oficiais acertados a propósito daquilo que é preciso fazer para impedir que a cada dia os refugiados sejam motivo de notícia pelas piores razões: trabalho conjunto sobre as causas do flagelo, não sobre as consequências. É necessário agir numa perspectiva de cooperação com os países de origem, enfrentar os problemas, não lidar com os resultados finais. E aí a dita “comunidade internacional” tem obrigação e poder para usar a tão aclamada “liberdade de expressão” para muito mais do que divulgação de cartoons de mau gosto... Quanta ingerência internacional em assuntos que não dizem respeito a ninguém e quanta inércia quando se trata de realmente proteger inocentes em perigo de reais ameaças...
A capa do mitificado Charlie a propósito do assunto mediterrânico é o coroar de uma demasiadamente longa lista de despropósitos que vêm alimentando o rancor daqueles que o mundo imagina como sendo maravilhosamente acolhidos por um continente que, sendo maravilhoso, tem muito a aprender quanto ao respeito pela diferença. Imagina, simplesmente, que uma foto da tua família era adulterada e divulgada nos meios de comunicação social em poses pornográficas. Qual seria a tua reacção? Qual seria a tua reacção se um jornal o fizesse sem cessar ao longo de... anos?
Há dias uma norte-americana defensora da “liberdade de expressão” alardeava na televisão que os cristãos não matam ninguém quando o mesmo tipo de cartoon que tanto ofende os muçulmanos se refere a Jesus Cristo. Sendo cristã, crente e praticante de todas as formas que me são possíveis (como se fosse possível crer e não praticar), tenho a lembrar três coisas: cruzadas, inquisição e “não praticantes” (o que quer que “praticar” signifique para quem se diz não praticante...) Outro apontamento, não há não praticantes entre os muçulmanos e quem “pratica” encara a religião e a fé como um modelo de vida, da mesma forma que tradicionalmente a Europa encarava a família, ainda que nem a família sirva mais de modelo a coisa nenhuma... querendo crer que a generalidade da população "ocidental" ainda se guia por alguma outra coisa que não seja o lucro...
Nada justifica um atentado a uma vida humana, nada! Mas a nossa responsabilidade também não pode ser negligenciada, e a defesa da nossa “prosperidade” e da nossa “liberdade” tem sido causa primeira de tanto ataque à dignidade e à vida de tantos. Tantos que depois nos procuram com a alma cheia de sonhos e se vêm escorraçados e enterrados em negros pesadelos. Valerá a pena pôr em causa milhares de inocentes em nome... de quê? De desenhos sórdidos e ofensivos?
Quanto mais atacamos, sem sensibilidade nem bom senso, os valores daqueles que os defendem sem sensatez (e de tantos outros que não têm absolutamente nada que ver com o assunto), mais o fanatismo se adensa. Quanto mais o fanatismo se adensa, mais o extremismo faz vítimas e quanto mais numerosas as vítimas, mais pessoas ameaçadas procuram refúgio neste lado do mundo, iludidas por imagens de uma liberdade que nem mesmo aqueles que sobrevivem ao mar um dia terão (porque na verdade nem mesmo todos os que aqui nasceram a ela têm direito da mesma forma...). E quanto mais criaturas em situação fragilizada – sem direitos nem protecção de nenhuma espécie – aportarem a estas margens, mais material para dar corpo a reacções extremistas se não soubermos dar-lhes motivos para não o serem, se não soubermos tratá-los como iguais e respeitá-los enquanto diferentes.
O caminho não é fácil mas é simples, basta reconhecer que aquilo que procuramos para nós próprios é o mesmo que todos quantos têm este mundo como casa têm o desejo de conhecer, e ninguém o merece mais que qualquer outro, porque, na verdade, nada do que existe nos pertence, todos estamos de passagem, numa viagem em que as tempestades são uma constante. A diferença é que enquanto uns viajam em navios de luxo, outros se vêem obrigados a confiar em botes salva-vidas... Cada um de nós tem o poder e o dever de fazer a travessia pelo menos o menos difícil possível para aqueles para quem o peso das vagas é maior. Talvez não possamos mudar o mundo, mas a diferença que podemos fazer pode ser decisiva para a possibilidade de fazer alguma diferença de outros...
E o mar que nos separa é também um mar que nos pode unir...
“O que eu faço, é uma gota no oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.”
(Madre Teresa de Calcutá)
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Non, je ne suis que moi...
Désolé, mais je ne suis pas Charlie...
Ni Charlie, ni aucun autre nom que quelqu’un veut m’imposer ou que quelqu’un s’impose pour diviser les gens dans des catégories.
Je ne suis pas Charlie, de la même façon qu’un musulman n’est pas un terroriste.
Je ne serai jamais un mot, et encore moins si ce mot là veut dire que pour vivre ma liberté, il faut que je menace la liberté des autres.
Ce n’est pas ça qu’on appelle « terrorisme » ?
Le fait d’attaquer quelqu’un au nom de n’importe quoi?
Chez moi on dit que « la liberté des uns s'arrête là où commence celle des autres »...
Peut-être que l’on n’a pas tous la même liberté... Si non, peut-être que l’on penserait plus aux millions de gens qui ont leur liberté menacé tous les jours partout dans le monde... Qui sont tués par milliers... Mais ça, ce sont d’autres histoires qu’apparemment n’intéressent pas beaucoup de monde de ce coté de la planète...
Je ne serai pas la police non plus.
Peut-être que les gens se manifestent trop sans vraiment penser à ce qu’ils disent ou font mais quand, pendant des mois, des milliers se manifestaient tous les jours contre la violence gratuite des autorités, se dire « la police » maintenant me semble aussi bizarre que le fait qu’on crie « aux armes citoyens » quand on se manifeste contre des gens qui sont (...étaient) des citoyens au même titre que nous. Et pourtant, nous disons cela pour critiquer le fait qu’ils utilisent des armes. N’est-ce pas paradoxal ?
On ne pense même pas que dans « les pays d’où ils viennent», «les armes sont leurs crayons » (???!!!!????) parce qu’il n’y a pas si longtemps, il y avait des puissances coloniales qui les leur imposaient. Mais l’époque des territoires ultra-marins est finie, n’est-ce pas ?...
On n’a pas besoin de chercher des coupables.
Les coupables sont tous ceux qui croient que leur liberté est plus valable que celle des autres et que leurs armes sont plus dignes, principalement quand on oublie qui a empêché « les autres » de développer des « armes plus dignes » à nos yeux ; qui leur refuse la dignité que l’on « défend » partout...
C’est à nous de dire non à l’indifférence et à la différence.
C’est à nous de défendre ce que l’on croit, et de respecter ce que croient les autres sans juger, sans critiquer, sans se moquer de ce que l’on ne comprend pas, au nom de la liberté.
Aucune liberté n’est digne de ce nom si elle essaie de blesser ou diminuer une autre liberté, de la même façon qu’aucun acte terroriste n’est justifiable, qu’aucune action qui essaie de blesser une vie est légitime.
C’est à nous de dire à nos enfants qu’il n’y a pas des personnes meilleures que les autres.
C’est à nous de leur apprendre que nous avons tous la même dignité, que personne ne peut se croire plus sage. Et que l’égalité et la fraternité sont aussi importantes que la liberté.
C’est à nous de leur dire qu’ils peuvent être ce qu’ils veulent si ils respectent également ce qui les autres sont.
En fait, je suis Charlie, et Ahmed, et Maria, et Shiri.
Je suis policier, et journaliste, et femme de ménage, et trapéziste.
Je suis juive, et musulmane, et chrétienne, et animiste...
Et je serai tout ce qu’il faut si je ne tue, ni blesse, ni essaie de faire souffrir personne à cause de mes croyances, qu’elles soient religieuses ou morales, spirituelles ou civiques. Mais je ne serai jamais ce que les autres m’appellent simplement parce que ça leur convient.
D’eux, je n’espère qu’être respectée comme un être qui cherche la même chose que tous les autres : le bonheur et l’opportunité de vivre le mieux que je peux, sans étiquettes, le temps qu’il me reste.
Ni Charlie, ni aucun autre nom que quelqu’un veut m’imposer ou que quelqu’un s’impose pour diviser les gens dans des catégories.
Je ne suis pas Charlie, de la même façon qu’un musulman n’est pas un terroriste.
Je ne serai jamais un mot, et encore moins si ce mot là veut dire que pour vivre ma liberté, il faut que je menace la liberté des autres.
Ce n’est pas ça qu’on appelle « terrorisme » ?
Le fait d’attaquer quelqu’un au nom de n’importe quoi?
Chez moi on dit que « la liberté des uns s'arrête là où commence celle des autres »...
Peut-être que l’on n’a pas tous la même liberté... Si non, peut-être que l’on penserait plus aux millions de gens qui ont leur liberté menacé tous les jours partout dans le monde... Qui sont tués par milliers... Mais ça, ce sont d’autres histoires qu’apparemment n’intéressent pas beaucoup de monde de ce coté de la planète...
Je ne serai pas la police non plus.
Peut-être que les gens se manifestent trop sans vraiment penser à ce qu’ils disent ou font mais quand, pendant des mois, des milliers se manifestaient tous les jours contre la violence gratuite des autorités, se dire « la police » maintenant me semble aussi bizarre que le fait qu’on crie « aux armes citoyens » quand on se manifeste contre des gens qui sont (...étaient) des citoyens au même titre que nous. Et pourtant, nous disons cela pour critiquer le fait qu’ils utilisent des armes. N’est-ce pas paradoxal ?
On ne pense même pas que dans « les pays d’où ils viennent», «les armes sont leurs crayons » (???!!!!????) parce qu’il n’y a pas si longtemps, il y avait des puissances coloniales qui les leur imposaient. Mais l’époque des territoires ultra-marins est finie, n’est-ce pas ?...
On n’a pas besoin de chercher des coupables.
Les coupables sont tous ceux qui croient que leur liberté est plus valable que celle des autres et que leurs armes sont plus dignes, principalement quand on oublie qui a empêché « les autres » de développer des « armes plus dignes » à nos yeux ; qui leur refuse la dignité que l’on « défend » partout...
C’est à nous de dire non à l’indifférence et à la différence.
C’est à nous de défendre ce que l’on croit, et de respecter ce que croient les autres sans juger, sans critiquer, sans se moquer de ce que l’on ne comprend pas, au nom de la liberté.
Aucune liberté n’est digne de ce nom si elle essaie de blesser ou diminuer une autre liberté, de la même façon qu’aucun acte terroriste n’est justifiable, qu’aucune action qui essaie de blesser une vie est légitime.
C’est à nous de dire à nos enfants qu’il n’y a pas des personnes meilleures que les autres.
C’est à nous de leur apprendre que nous avons tous la même dignité, que personne ne peut se croire plus sage. Et que l’égalité et la fraternité sont aussi importantes que la liberté.
C’est à nous de leur dire qu’ils peuvent être ce qu’ils veulent si ils respectent également ce qui les autres sont.
En fait, je suis Charlie, et Ahmed, et Maria, et Shiri.
Je suis policier, et journaliste, et femme de ménage, et trapéziste.
Je suis juive, et musulmane, et chrétienne, et animiste...
Et je serai tout ce qu’il faut si je ne tue, ni blesse, ni essaie de faire souffrir personne à cause de mes croyances, qu’elles soient religieuses ou morales, spirituelles ou civiques. Mais je ne serai jamais ce que les autres m’appellent simplement parce que ça leur convient.
D’eux, je n’espère qu’être respectée comme un être qui cherche la même chose que tous les autres : le bonheur et l’opportunité de vivre le mieux que je peux, sans étiquettes, le temps qu’il me reste.
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