segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Ceasefire...

 

CEASEFIRE MAKES IT MUCH BETTER (for there are no bombs constantly destroying hospitals and whatever other place is supposed to be guaranteed to be safe by international law), if the situation is compared to what it became after 07.10, but long before that it was anything but good already, and it still is.

HISTORY DIDN'T START IN 2023, as Israeli supporters and “western” media (not sure if separating the two is very accurate…) seem to want to make us believe. Long (more than 70 years) before there were rockets causing destruction, heavy machinery (sold by big “western” companies) bulldozing houses and land being stolen, bullets stealing lives, random arrests turning thousands into "prisoners". It's not by chance there are so many to be traded, and unlike Israel and the “western” media want to make us believe, MANY ARE WOMEN AND CHILDREN – and I finally found one reason that may justify the fact they are never called “hostages”: the idea was never to return them in the first place! So yeah, keep on calling them prisoners, which they've been for long, most under no other excuse than maybe trying to resist the unfair treatment they're subjected to daily by the occupying power…. For some reason, though, Israel's moves are never called terrorism, even if it's a country supposedly based on a religious identity which tends to be used to justify whatever violent action.

The everlasting indifference by the international community regarding all of this makes it so for a Palestinian to have an identity document it must be issued by the Israeli authorities (which have very little interest in their existence let alone in giving them official recognition), which makes many irregular wherever they go, besides being unable to return to their own home (while jews all over the world have the "right to return" to a land where they've never lived, neither any of their ancestors in many cases). It's easier for me, with no connection to the Palestinian land whatsoever, to get in than to someone actually born in there. Thousands of Palestinians born in refugee camps in neighbouring countries are considered "Palestinians born in..." (Jordan, for example). If ever issued a document in Europe, though, the nationality section might be blank….

Palestinians' right to defend themselves or even to exist has been taken away by a state that has been proceeding to ethnic cleansing for more than 70 years now, justifying it on their own "protection". If they didn't go there and occupy something that wasn't theirs while killing thousands, all (and that was more than enough already) they had to defend themselves from was western countries' long-lasting bullshit (mainly fuelled by envy, maybe?) against them. It was easier for "western" countries to put them in a strategic position (full of oil) while backing them up in dealing with their trauma on their own (doing to others what was done to them) then to deal with responsibility and guilt, I guess... Meanwhile, innocent Palestinians have been subjected to several generations of trauma and human rights' (defined as such and said to be promoted by “western” countries) constant violations (while their support goes exclusively to a genocidal state).

Only “western” are entitled to fight for freedom? Whose freedom? And what is “western" anyway? Isn't the world round?

CEASEFIRE IS ESSENTIAL BUT CEASEFIRE IS NOT ENOUGH! It does make things infinitely better (given the extent of violence the alternative entailed) but it does not erase what was done and it does not change what is still happening under everyone’s noses (and with the support of most, whether being aware of it or not).

By the way: AMERICA IS A CONTINENT! and HUMAN BEINGS ARE ANIMALS! (much more irrational than many others, so it seems) - what are children told in school nowadays? – so, calling anyone "animal" can only be used as an offense by someone who doesn’t even know how much of an animal they are….

Also, IMMIGRATION IS NOT A PROBLEM, USA's leadership is – the only point in which there is some coherence, in fact, since all USA's leaders are of migrant descent... So, yeah, maybe they do have a point after all... (and in what comes to the quality of leadership it does apply to many others)

NATIVES SHOULD HAVE BUILT A WALL!!! If only they were given the chance….

And REMEMBERING AUSCHWITZ IS TOTALLY USELESS if what was done in there is used for nothing but to justify the same kind of inhumane politics and treatment as those applied by then.

That's it, for now. 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

O ano da Fénix



02.04.2024. Resultado: filoide maligno. 

Ninguém espera um resultado destes, mas para mim não foi uma surpresa:

depois de tanto sofrimento guardado, de tanta lágrima sufocada, tanto grito abafado durante tanto tempo e de uma forma muito violenta nos meses que tinham antecedido o resultado;

depois de um ano de perdas, culminando com a mais dolorosa até hoje, e de vários meses de sofrimento a sós, no meio mais hostil e menos empático que já conheci; 

depois de ter tido um susto no anterior e não ter mudado aquilo que sei que precisava de ser mudado na minha vida, aquele resultado fazia perfeito sentido. 

Era como se todas as minhas dores, arrependimentos e silêncios se tivessem juntado num ponto do meu corpo e alimentado uma alteração genética que deu origem a um tipo de anomalia que, sendo minha, só podia ser raríssima e super organizada.😉

Houve momentos de muita coisa… Não é que alguma vez o tenha tido, mas quando perdes total controlo daquilo que te acontece, quando a tua vida está, em absoluto, nas mãos de outros e das suas decisões, é-se forçado a aprender umas coisas….

Mas deixar-se guiar totalmente nunca foi uma possibilidade para mim (nem a dançar, quanto mais…), para bem e para mal... Neste caso, porém, o facto de não me acomodar acabou por ser, na verdade, uma bênção.

Quando me disseram que era urgente e o primeiro exame foi marcado para dali a dois meses, desesperei…. Mais ainda porque via o bendito a crescer a cada dia. Se era urgente e se estava a crescer, porque não estava nada a ser feito? Perguntei, com respeito, sempre. E valeu: a data que era para o primeiro exame acabou por ser para a primeira cirurgia. 

Não queria passar à frente de ninguém em situação mais urgente, mas também não podia deixar que o meu caso ficasse esquecido, à espera de piorar, talvez apenas por não dizer o que se estava a passar comigo. 

O processo era deles, mas o corpo é meu.

E ouviram-me. E voltaram a ouvir-me quando, meses mais tarde, me disseram, sem explicar nada (porque greve de médicos…) que ia ter que fazer rádio e quimioterapia. Eu, a quem tinha sido dito que podia não ter que fazer nada e a quem acabavam de dizer que já estava livre do mal depois da primeira cirurgia. Eu que já tinha feito uma segunda. 

Não questionei a decisão, mas pedi que me explicassem porquê. E o meu pedido podia não ter resultado em nada, mas acabou por levar o processo para as mãos de quem realmente estuda e trata a raridade e sabe que não há dados que comprovem o efeito de uma terapia com danos colaterais tão graves neste tipo de problema. 

Fiz mês e meio de rádio, todos os dias, sem me queixar (muito), e acabariam por decidir não me sujeitar aos efeitos nefastos da quimioterapia sem um propósito claro. Terminei no dia 24 de Dezembro: um belo presente de Natal! 😊 

A grande lição de tudo isto: fala! Confia, mas não deixes de falar! Partilha, com quem se ocupa da tua saúde, os teus medos, as tuas inseguranças, as tuas dúvidas. Pergunta. Não duvides, mas questiona. É o teu corpo, a tua vida. Por muito que os profissionais de saúde queiram, não podem dedicar a cada um dos doentes o cuidado que só cada um pode ter consigo próprio.

E acima de tudo: não abafes dores, angústias, mágoas e lágrimas.... Tantas lágrimas engoli para não preocupar, para não incomodar, para não deixar alguém triste.... Abraça o que sentes, honra o que sentes. Os teus sentimentos são tão importantes e válidos como os de qualquer outra pessoa. Não os escondas, não os sufoques. Mais cedo ou mais tarde, essas dores encerradas em ti acabam por manifestar-se, muitas vezes em forma de doença.

Não faças como eu, não deixes chegar a esse ponto. Procura ajuda, aceita ajuda, está abert@ a sentir e a dar a saber o que sentes também. Ninguém aprenderá dos erros que cometeram contigo se não lhes fizeres saber o quanto te magoaram. Dá essa oportunidade de crescimento também. Se a usam ou não, não é responsabilidade tua, mas não negues essa oportunidade. E, acima de tudo, não negues a ti próprio o direito de sentir e expressar o que sentes.

É essencial, é a tua verdade, e pode poupar-te muitas mais dores.

Neste caso, e como em tantos outros, não fiz questão de esconder, nem fiz questão de contar.

Se sentes que deverias ter sabido por mim e soubeste por outra pessoa ou só estás a saber agora, não é porque não confie em ti, é porque simplesmente não fez sentido dizer-te quando nos encontrámos ou não houve espaço e tempo para contar.

Se achas que isto é informação a mais e que não precisavas de saber disto: não te pedi que lesses. Salvo raras excepções, não escrevo para ser lida, escrevo porque preciso de escrever, e se alguns textos acabam publicados é porque por algum motivo acho que podem fazer sentido para e/ou ajudar outras pessoas. Este é um desses.

2023 foi o ano do terramoto, de muitas perdas irreparáveis (outras nem tanto) que abanaram a minha realidade de forma violenta. Seguiu-se um tsunami, que me deixou debaixo de água durante quase todo o ano de 2024. Foi um ano de cura, de parar finalmente, de repensar muitas coisas e priorizar-me. Terminou também com fogo, literal, a reduzir demasiado a cinzas. 2025 está fadado a ser o ano do renascimento, de ser fénix que se reergue da destruição.

Assim seja.