terça-feira, 7 de maio de 2013

Ó Gente da Minha Terra…


Gente de palavras simples e gestos sinceros.
Gente de pele áspera e jeito duro mas de trato suave e simpatia verdadeira,
que vê na natureza um porto seguro e não um objecto de benefício material.
Gente que trata a terra por tu, para quem ganhar nunca foi mais que o resultado de grande esforço, e vencer na vida nunca foi questão de derrotar alguém.
Gente capaz de trabalhar de sol a sol, sem canseira nem reclamações, sem vergonha de sujar as mãos, de vergar as costas ou de dizer palavrões.
Gente que vive de pés bem assentes na terra, que é sua como a gente é dela, criando raízes;
que se transforma sem mudar, por muito que as voltas da vida a levem a outro lugar.
Gente que semeia, que cuida e que vê crescer;
gente que colhe e oferece sem medo de ficar a perder.
Gente de calo, de raça, de orgulho e de fé, que beija como quem abraça e que cai sempre de pé!
Gente que não pensa o que sente e sente tudo o que vê;
que limpa as feridas com lágrimas e chora sem saber porquê.
Gente a quem as alegrias não sobram e as dores não são escassas; que enfrenta cada luta com a mesma força e se entrega de alma e coração para, de mãos dadas, amenizar desgraças.
Gente que abafa gritos com gargalhadas e chora sem soluçar,
para quem o céu não é limite e no horizonte fixa o olhar.
Gente de olhar triste mas sereno,
que encara os dias como dons eternos e a noite como berço e confidente.
Gente a quem a vida coloriu de negro mas que acredita, e sabe, porque sente.
Gente que confia mas vive sem certezas e se despede de sorriso nos lábios,
porque sabe, por experiência própria, que nada na vida finda, apenas se transforma.
Gente que deixa saudade…
Pelos gestos simples, pelas palavras sinceras, pelos sorrisos raros mas esperançosos, pelos olhares, que apesar de doloridos sempre falaram de dias melhores.
Gente cujos nomes não ficarão na História do mundo,
mas cujos exemplos tantas histórias alimentarão…
Gente que faz falta… Gente que nos faz falta…
A Minha Gente… A Nossa Gente… Sempre

(A todos os "tios" e "tias" que partiram sem sair do lugar: ao ti'Silvério, à ti'Isménia, à ti'Carminda, ao tio Hélio, à ti'Pureza, à ti'Celeste, ao tio Armando, ao 'António do Nicho', ao ti'Ventura, à ti'Marília, tia Ângela, ao ti'Daniel, e a todos os que continuam a ensinar tanto com tão pouco...)

“Todas as portas se abriram e soltaram-se as cadeias de todos os presos”
(Actos 16, 22-34)

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