sexta-feira, 2 de agosto de 2019

In Memoriam...

Há alturas em que parece que o céu – ou o que lhe quisermos chamar – abre portas, e Deus – ou o que não Lhe quisermos chamar – chama vários dos melhores… Tem sido um desses períodos… E ainda que não sejam os únicos a merecê-lo, há alguns a quem preciso de fazer uma homenagem…

Conheci a Fern em França. Desde aí nunca mais nos encontrámos fisicamente, mas há muitas coisas que a distância não separa. Desde o primeiro momento que me pareceu uma criatura cheia de luz, com uma forma muito simples e delicada de espalhar boas energias e cuidado. Dali floresceu uma amizade improvavelmente duradoura, porque separada por vários quilómetros de mar, como outras que aquele coração enorme cultivou pelo mundo. Há um mês atrás esse coração levou um pedacinho de todos aqueles a quem cativou - à boa maneira de St. Exupéry - para outro lugar, quando um condutor alcoolizado embateu com o carro em que seguia com o marido, no mesmo dia em que casaram... Hoje, no México, família e amigos lutam por justiça, pela mesma justiça pela qual ela lutou com afinco… O condutor é um jogador de futebol, e neste mundo injusto parece que, para quem manda, ainda há vidas que têm mais valor que outras… Ainda assim, e seja qual for o resultado, a justiça pela qual lutou a Fernanda e a forma como o fez nunca se desvanecerão, e continuarão certamente a inspirar quem teve o privilégio de se cruzar com a sua luz pelo caminho… E essa nunca há-de deixar de brilhar…

Quem também não se calava perante as injustiças era aquele que, durante muito tempo, foi definido por muitos como “o mau”. Não que fosse, era só que quem o ouvia não estava habituado a verdades de uma forma tão directa ou bem-humorada, não nos contextos em que o ouviam. As várias lutas da vida haveriam de tornar o “Pires, sem chávena!” num dos mais hábeis contadores de histórias – sem papas na língua ou eufemismos -, melhores ouvintes e conselheiros que tive o privilégio de conhecer. “Viver no passado é depressão. Viver no futuro é ansiedade…”, dos muitos ensinamentos que tento recordar todos os dias, das muitas gotas das várias enxurradas de sabedoria com que nos aquecia alma e coração de cada vez que abria a boca… - outras vezes era só para dizer asneiredo, mas até nisso sabia ser certeiro! =’). Aprendi tanto com ele, e lamento muito não ter aproveitado para aprender mais do tanto que tinha para ensinar mas… “Não viver no passado!” Ainda assim, os “borrachos” desobedecem-lhe, mas é por sentirem a sua falta… “Egoismozinho d’uma figa!”… ;) Somos ainda umas “galinhas”, é verdade! =’) Ainda precisamos de mais umas “cacetadas” para perceber o que há muito percebeu e nos foi tentando enfiar nas cacholas duras… Lá chegaremos! Até lá, se ainda tiver paciência, esperamos que nos vá “falando ao ouvido”, ou dando uns berros daqueles que nos acordam quando andamos adormecidos da vida, que isto parece que a bem às vezes não vai lá… =’) Devia ter gravado os seus sermões… Não pensei deixar de os ouvir tão cedo… Continuamos a cometer os mesmos erros de sempre, não é? Parece que é só quando aprendermos alguma coisa de verdade que vamos embora…
Espero que aproveite o sossego, enquanto os “índios” não chegam todos à sua beira… =’)

E, entretanto, já uma pequena “índia” aprendeu tudo depressa e voltou a casa também… Mi niña llena de amor… Así vivió sus casi 18 años, con la sonrisa más dulce y la mirada más tierna... Una luchadora, que ha decidido no dejar la Tierra hasta el dia en el que se recuerda que el hombre fué ya capable de llegar a la Luna, como que pa’ decirnos que nada es imposible y que lo más importante que tenemos que decidir es realmente “qué hacer con el tiempo que se nos ha dado”. Y ella ha hecho tanto, y nada más que dar Amor y un ejemplo de coraje y fuerza increíbles… como de hecho hay muchos en la família, por la cual estoy muy agradecida, porque en ella él amor es siempre incondicional e infinito, como siempre debe ser el amor. Tenemos un ángel más, pero la verdad es que siempre lo ha sido… Te hecho de menos, mi niña… igual que cuándo teníamos una frontiera terrestre en medio, pero, igual que antes, “la distancia no separa el sentimiento”, ni aquí ni en ningún otro lugar, y el que has construido es seguramente feliz!

…Cada um à sua maneira, souberam fazer com que cada dia contasse, lutando pela justiça, pelo amor, pela vida, com gestos, com palavras, com olhares e sorrisos… Vivamos o presente, com a certeza de que “a vida é sempre a perder”, sim, mas com criaturas como estas no nosso caminho, é para ganhar, e muito… E de que cada um continua a “ir” até onde tiver que chegar, e que a “vontade de rir” essa, certamente não desapareceu, antes pelo contrário, e tem que continuar também em quem teve o privilégio de partilhar com eles cada pedacinho desta viagem… Continuamos juntos!
http://www.youtube.com/watch?v=zzyjilhaRZA

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